Crítica do filme Mãe!

Mãe! é o controverso filme de Darren Aronofsky, que está em debate desde que estreou. Cenas fortes, eloquentes e cheias de significados? Talvez…

A trama é relativamente simples em Mãe!, um casal mora confortavelmente em sua casa, e a esposa usa toda sua habilidade para transformá-la em um lar.

Já o marido é um escritor que está com bloqueio criativo. Então, forasteiros começam a aparecer na casa e invadir a privacidade do casal.

Ok, então porque isso é tão polêmico? Eu não vou conseguir explicar isso para vocês sem spoilers, então, dessa vez, já anuncio: esse post terá spoilers do filme!

Vamos começar de novo: a Mãe (titulo do filme) e Ele (provavelmente Deus) começam a criação do mundo. Ela cuida da casa com esmero e carinho. Já o personagem Dele, está com um bloqueio criativo e se sentindo sozinho. Então aparece o homem (Ed Harris).

O homem aparece como um personagem cheio de vícios, que fuma e não respeita o desejo da dona da casa (de não fumar dentro de casa). Além de adorar uma boa bebida e querer o monopólio Dele para si mesmo. Na noite em que o homem aparece, em uma cena, mostra um machucado em sua costela. Na manhã seguinte aparece a mulher na porta da casa. Uma referência a Adão e Eva.

O homem e a mulher (em nenhum momento do filme nomes são mencionados) abusam da hospitalidade de seus anfitriões, e tentam entrar no escritório Dele. Ao conseguirem entrar no escritório, quebram um objeto muito valioso, fazendo com que Ele se enfureça e os expulse de seu escritório (quando Adão e Eva são expulsos do paraíso).

Mas o homem e a mulher permanecem na casa da Mãe. Até que seus filhos invadem, brigam e em uma cena violenta, o irmão mais novo mata o mais velho (Caim e Abel). Em todos os momentos a Mãe se mostra insatisfeita com os hóspedes.

Bom, se eu for dar todos os detalhes do filme, esse post vai ficar imenso. O mais polêmico acredito que sejam as passagens pesadas, como a guerra que consome a casa quando as invasões começam a acontecer. Além disso o fanatismo perante ao escritor é incrivelmente pesado. E como se não bastasse, a cena em que o bebê morre nas mãos dos fiéis é chocante.

São várias referências aí, as “guerras santas” (sempre em nome da fé). A diferença das pessoas que são devotadas ao mesmo escritor (a um Deus que pode ter diversos nomes). E como o filho da Mãe e d’Ele pode morrer pelas mãos humanas (Ele tenta falar para a Mãe perdoar).

A pior cena, e a mais chocante, é quando os fieis comem pedaços do bebê (clara referência a hóstia). Acho que aqui já deu para notar que Darren Aronofsky é ateu. Durante o filme inteiro o diretor nos apresenta o personagem d’Ele como uma pessoa vaidosa e leviana.

O próprio diretor já confirmou que é por aí mesmo a história que ele quis criar. Algo com Bíblia, Mãe Natureza, Deus….

Talvez a polêmica possa ser dividida em 5:
1. Quem não entendeu como uma parábola, e sim como uma história visceral.
2. Quem entendeu que o diretor quis trazer para um micro-universo toda uma história de milhares de anos, para se tornar mais palpável a quem assiste
3. Quem entendeu como uma parábola religiosa e não gostou da forma que Ele é retratado
4. Quem entendeu como uma parábola religiosa e uma crítica a nossa sociedade e não gostou
5. Quem pensou em outra forma de analisar o filme

Ufa, realmente, é bem complexo o tema.

A minha visão do filme é:
É uma parábola que tenta trazer para um universo mais palpável (afinal, uma casa é mais concisa que milhares de anos) algumas histórias da Bíblia. E como é um homem que fez, ele criou Deus com sentimentos humanos. Mas tudo o que a personagem da Mãe sofre é extremamente crível.

Pode ser interpretado como uma violência contra a mulher. Ou contra a Terra. De toda forma, é uma violência, e os seres humanos são responsáveis com isso. E o resultado é exatamente o do filme, se não olharmos com mais cuidado para de onde viemos, uma hora não teremos mais recursos.

Mãe!
Duração: 02h e 02min
Direção: Darren Aronofsky
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Michelle Pfeiffer e Ed Harris
Nota: certas horas é 1/5 e em outros momentos 4/5 – sim, agora até a nota será um mistério 😉

helgawtakeno

Vim para Indaiatuba em 2010 e me apaixonei pela cidade. Sou cinéfila, jornalista, designer gráfica, trabalho com mídias sociais também. E sou nerd com muito orgulho. Espero que gostem da minha visão sobre Indaiatuba e meus conselhos sobre filmes, culinária, e o que mais vier. Esse blog é feito com muito carinho ♥

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